A Farsa do Mundo: A Matrix do Príncipe Deste Mundo e Subversão dos Sistemas Religiosos - Volumen 13 Número 2 - Página —-


REVISTA INCLUSIONES – REVISTA DE HUMANIDADES Y CIENCIAS SOCIALES

ISSN 0719-4706
Volumen 13 Número 2
Abril - Junio 2026
e3745
https://doi.org/10.58210/rie3745


A Farsa do Mundo: A Matrix do Príncipe Deste Mundo e Subversão dos Sistemas Religiosos
/
La Farsa del Mundo: La Matriz del Príncipe de Este Mundo y la Subversión de los Sistemas Religiosos
/
The Farce of the World: The Matrix of the Prince of This World and the Subversion of Religious Systems

Renivaldo Santos de Souza
Faculdades EST, Brasil
rennysouza55@gmail.com
https://orcid.org/0000-0001-5223-8190

Laude Erandi Brandenburg
Faculdades EST, Brasil
laude@est.edu.br
https://orcid.org/0000-0003-1249-9534

Fecha de Recepción: 4 de marzo de 2026
Fecha de Aceptación: 6 de marzo de 2026
Fecha de Publicación: 7 de mayo de 2026

Financiamiento:

El autor declara que este estudio no recibió financiación externa.

Conflictos de interés:

El autor también declara no tener ningún conflicto de intereses.

Correspondencia:

Nombres y Apellidos: Renivaldo Santos de Souza
Correo electrónico: rennysouza55@gmail.com

Dirección postal: R. Amadeo Rossi, 467 - Morro do Espelho, São Leopoldo - RS, 93030-220, Brasil


Los autores retienen los derechos de autor de este artículo. Revista Inclusiones publica esta obra bajo una licencia Creative Commons Atribución 4.0 Internacional (CC BY 4.0), que permite su uso, distribución y reproducción en cualquier medio, siempre que se cite apropiadamente a los autores originales.

https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/

Resumo

Este artigo analisa o tema “A farsa do mundo: a matrix do príncipe deste mundo e a subversão dos sistemas religiosos”, numa abordagem interdisciplinar que articula filosofia, sociologia e teologia. Investiga como pensadores clássicos e modernos, como Platão, Sócrates, Nietzsche, Marx, Weber, Foucault e Brandenburg, ajudam a compreender a construção de farsas sociais que afastam o ser humano da realidade transcendente revelada em Jesus Cristo. Também aborda como a tecnologia, as mídias e o poder político reforçam uma “matrix” de dominação no Brasil e na América Latina, manipulando práticas e crenças religiosas. São apresentados dados empíricos sobre intolerância, fake news e religiosidade política. A análise mostra o contraste entre a farsa do mundo e a verdade bíblica sobre o “príncipe deste mundo”. Os resultados apontam para a necessidade urgente de discernimento crítico e espiritual na esfera educacional e eclesial.

Palavras-chave: religião; social; sistemas; Intolerância religiosa; Pensamento crítico.

Resumen

Este artículo analiza el tema “La farsa del mundo: la matrix del príncipe de este mundo y la subversión de los sistemas religiosos”, desde un enfoque interdisciplinario que articula filosofía, sociología y teología. Investiga cómo pensadores clásicos y modernos, como Platón, Sócrates, Nietzsche, Marx, Weber, Foucault y Brandenburg, contribuyen a comprender la construcción de farsas sociales que alejan al ser humano de la realidad trascendente revelada en Jesucristo. Asimismo, aborda cómo la tecnología, los medios de comunicación y el poder político refuerzan una “matrix” de dominación en Brasil y en América Latina, manipulando prácticas y creencias religiosas. Se presentan datos empíricos sobre intolerancia, fake news y religiosidad política. El análisis muestra el contraste entre la farsa del mundo y la verdad bíblica sobre el “príncipe de este mundo”. Los resultados señalan la urgente necesidad de discernimiento crítico y espiritual en el ámbito educativo y eclesial.

Palabras clave: religión; social; sistemas; Intolerancia religiosa; Pensamiento crítico.

Abstract

This article analyzes the theme "The farce of the world: the matrix of the prince of this world and the subversion of religious systems," through an interdisciplinary approach that articulates philosophy, sociology, and theology. It investigates how classical and modern thinkers, such as Plato, Socrates, Nietzsche, Marx, Weber, Foucault, and Brandenburg, contribute to understanding the construction of social farces that distance human beings from the transcendent reality revealed in Jesus Christ. It also addresses how technology, the media, and political power reinforce a "matrix" of domination in Brazil and Latin America, manipulating religious practices and beliefs. Empirical data on intolerance, fake news, and political religiosity are presented. The analysis shows the contrast between the farce of the world and the biblical truth about the "prince of this world." The results point to the urgent need for critical and spiritual discernment in the educational and ecclesial spheres.

Keywords: religion; social; systems; Religious intolerance; Critical thinking.

Introdução

Desde os primórdios do pensamento filosófico, a relação entre poder, ilusão e religião tem sido objeto de reflexão crítica. Tal problemática atravessa diferentes tradições intelectuais e permanece inquietante no debate contemporâneo sobre dominação simbólica e construção da realidade social. Nesse contexto, o presente artigo vincula-se à pesquisa de doutorado em Teologia desenvolvida e propõe uma análise interdisciplinar que articula filosofia, sociologia e teologia.

Notamos isto, na alegoria da caverna apresentada por Platão na República, constitui um marco fundacional para a compreensão da percepção humana como limitada e condicionada por aparências que revelam a percepção humana limitada, aprisionada em sombras que representam uma realidade falsa ou distorcida.[1] 

Nessa metáfora, as pessoas se encontram aprisionadas a sombras projetadas, tomadas como realidade absoluta, o que lhes permitem interpretar o mundo como uma ‘farsa estruturada’ por mecanismos invisíveis de poder e dominação. A ilusão, nesse sentido, não é apenas um erro cognitivo, mas um dispositivo político, religioso e simbólico que organiza a experiência das pessoas. Deste modo, torna-se fundamental compreender a ideia de mundo como farsa[2], em que as pessoas acreditam em uma realidade construída, manipulada por estruturas invisíveis de dominação e poder perpétuos.

Este artigo investiga a relação entre a denominada “matrix”[3] da farsa do mundo, a atuação das instituições religiosas e os mecanismos de subversão que emergem quando as pessoas percebem a falsidade dos sistemas hegemônicos da sociedade, com a finalidade de subversão dos sentidos humanos.[4] 

Cabe destacar que, a metáfora da “matrix” amplamente difundida na cultura contemporânea, tornou-se símbolo contemporâneo para descrever a manipulação da realidade social. Este conceito pode ser lido à luz de teorias filosóficas e sociológicas que analisam a religião como instrumento de controle social[5] e de legitimação de hierarquias.[6]

No Campo teológico, a Bíblia denomina esse mecanismo de dominação do “príncipe deste mundo”[7]. No evangelho de João, assim afirma Jesus: “Chegou a hora de ser julgado este mundo, agora será expulso o príncipe deste mundo”. Essa afirmação de Jesus designa as forças de corrupção e ilusão que dominam as experiências e os sentidos humanos.

O apóstolo Paulo assegura que: “Nos quais o deus deste século cegou o entendimento dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, o qual é a imagem de Deus”[8].  Nessa afirmação, “o deus deste século” que atua obscurecendo mentes, subvertendo sistemas religiosos e responsável por enganar e aprisionar a mente humana em ilusões momentâneas.

Tais passagens indicam as forças de ilusão e corrupção que obscurecem a consciência humana, subvertem sistemas religiosos, sociedades, países e aprisionam a experiência espiritual humana em estruturas alienantes da consciência.

Diante dos fatos, o problema de pesquisa se concentra na questão central: Como o “príncipe deste mundo” constrói, através da “matrix de poder”, uma farsa que manipula os sistemas religiosos e a sociedade, especialmente o contexto no Brasil e América Latina, afastando a humanidade da centralidade de Jesus Cristo?

Cabe ressaltar que, a hipótese central se presume que o sistema mundial opera como uma “matrix” de engano que, apoiada na tecnologia, política, economia, educação, cultura e religião, manipula as consciências humanas, promovendo um estado de alienação espiritual e subversão das tradições cristãs dos sistemas religiosos.

Nesta perspectiva, o objetivo geral, consiste em analisar a farsa do mundo[9] e sua “matrix” de poder como mecanismo de subversão dos sistemas religiosos, à luz da filosofia, da sociologia e da teologia cristã. Neste sentido, os objetivos específicos se buscam: explicar os mecanismos de poder e ilusão que sustentam a farsa; Investigar como a Bíblia descreve o “príncipe deste mundo”; levantar dados empíricos sobre a manipulação político-religiosa no Brasil e na América Latina e a intolerância religiosa e discutir a função da tecnologia, das mídias sociais e dos meios de comunicação funcionam como instrumentos da “matrix contemporânea” de poder e manipulação.

Em este marco teórico, se fundamenta em Platão, especialmente na célebre alegoria da caverna (República, Livro VII), que descreve a humanidade presa em ilusões projetadas nas paredes, incapaz de perceber a realidade e bem como na tradição socrática da maiêutica, voltada à libertação do pensamento das ilusões do senso comum.

Desta forma, Sócrates, com sua maiêutica[10], buscava libertar o pensamento humano das farsas do senso comum. Nietzsche, por sua vez, denuncia em “O Anticristo” a religião institucional como forma de negação da vida,[11] enquanto Marx chama a religião de “ópio do povo”, interpretando-a como sistema de alienação sustentado por estruturas econômicas.[12]

Observamos que Weber, em A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo, demonstra como a religião pode moldar racionalidades econômicas e legitimar o poder[13]. Nesse sentido, Foucault explica que o poder se exerce por meio de discursos e práticas que moldam subjetividades.[14] Já Brandenburg alerta para cooptação dos sistemas religiosos por forças contra hegemônicas[15], que distorcem a essência de construção da liberdade espiritual da pessoa.

Metodologicamente, o artigo adotou a metodologia qualitativa exploratória combinada com análise quantitativa de dados secundários da filosofia, da sociologia, da teologia e da análise empírica. De este modo, se realizou uma revisão integrativa e bibliográfica das obras clássicas e contemporâneas, articulada a uma análise teológica dos textos bíblicos joaninos e paulinos para identificar a concepção do “príncipe deste mundo” e sua influência espiritual sobre a humanidade.

Para a dimensão empírica, se levantaram dados secundários sobre intolerância religiosa, desinformação e manipulação política-religiosa no Brasil e na América Latina, utilizando relatórios do Pew Research Center[16], do Fórum Brasileiro de Segurança Pública[17], do ITS Rio[18] e do Latinobarómetro[19]. Ademais a análise documental de mídias sociais e plataformas digitais, como WhatsApp e Telegram e sites de notícias com o objetivo de examinar a disseminação de desinformação e a instrumentalização da fé religiosa.

Por fim, os dados foram triangulados com os referenciais teóricos, permitindo uma interpretação crítica da “matrix do príncipe deste mundo”, com apresentação de gráficos e tabelas que ilustram relações entre alienação, manipulação social e poder religioso, além de exemplos históricos e contemporâneos de manipulação ideológica e poder religioso.

1 Marco teórico e conceitual
1.1 Definições operacionais

Para fins desta análise, utilizou-se a ideia de que o mundo é uma farsa que atravessa milênios de reflexão filosófica e teológica. Para Platão, os sentidos enganam e a realidade percebida é apenas uma sombra do mundo das ideias. A caverna platônica simboliza o aprisionamento humano diante de aparências e ilusões: a libertação ocorre quando se reconhece a verdade subjacente, o que pode ser interpretado como a subversão da “matrix” cultural e religiosa dominante.[20] A libertação ocorre quando o sujeito rompe com essa ilusão, alcançando o conhecimento verdadeiro por meio da razão.

Platão sustenta que a realidade sensível é apenas uma cópia imperfeita das ideias verdadeiras (mundo das ideias)[21], e que a pessoa está aprisionada em percepções ilusórias, se encontra alienada da verdade. Ao libertar-se da caverna (A caverna representa, uma prisão mental e simbólica), a pessoa confronta a verdade e passa a discernir a realidade por meio da razão, isto é, cuja superação exige não apenas esforço intelectual, mas também coragem ética para confrontar estruturas de manipulação. A caverna simboliza a prisão mental e espiritual diante da realidade ilusória. A libertação exige percepção crítica e coragem para enfrentar as sombras manipuladas.[22]

Essa leitura reinterpreta a alegoria platônica como precursora da noção contemporânea de “matrix”, entendida como sistema cultural e ideológico que organiza percepções, crenças e comportamentos das pessoas.

Gráfico 1 – Níveis de Percepção da Realidade




Fonte: Elaboração própria, com base em dados produzidos pelos autores (2026).

Na contemporaneidade, a caverna pode ser interpretada através da sombra da alienação mental.[23] Ademais, a caverna contemporânea seria a alegoria das redes sociais, fake news[24] e a manipulação de informações promovida por dispositivos tecnológicos e políticos.[25] Este conceito pode ser reinterpretado como precursor da noção de “matrix” do “príncipe deste mundo”.

Se observa que, as sombras representam valores ideológicos e religiosos internalizados, que moldam comportamentos individuais quanto as crenças coletivas e pessoais. A libertação, neste contexto, exige esforço intelectual e resistência às pressões sociais, que muitas vezes são reforçadas por instituições religiosas, educacionais, culturais e a política dominante (hegemônicas).

Tabela 1 – Analogia entre caverna platônica e matrix do mundo moderno

Caverna

Sociedade manipulada por aparências

Sombras

Ideologias, dogmas e propagandas

Libertação

Crítica filosófica e teológica

Sol/verdade

Conhecimento transcendente/Deus

Fonte: Com dados produzidos pelos autores do artigo (2026).

Nessa perspectiva, a caverna simboliza a prisão mental da pessoa diante da realidade ilusória e para libertar-se exige percepção crítica, rompendo com as sombras manipuladas.[26] Assim, o pensamento crítico é a chave para romper o ciclo de alienação, permitindo-a identificar os mecanismos de dominação presentes na sociedade.[27]e os mecanismos de controle e subversão da religião.[28]

Sócrates, por sua vez, defende que a busca pelo conhecimento verdadeiro exige questionamento constante e ruptura com crenças estabelecidas, incluindo preceitos religiosos aceitos pela polis. A maiêutica socrática configura-se como instrumento de desalienação, desvelando a farsa das aparências e dos dogmas.[29] Dessa forma, a filosofia promove a desalienação intelectual, incentivando questionamento constante de crenças estabelecidas e preestabelecidas na sociedade.

Nesse sentido, a filosofia atua como mecanismo de subversão das ilusões produzidas pelo que a tradição bíblica denomina “príncipe deste mundo”, pois promove a ruptura com verdades impostas e naturalizadas.[30] 

Convém destacar que, a prática da maiêutica como técnica de resistência à “matrix do príncipe deste mundo”. Desse modo, o questionamento constante permite desvelar ilusões e dogmas impostos, funcionando como mecanismo de subversão frente à “matrix do príncipe deste mundo”. Dessa forma, a maiêutica socrática promove o questionamento constante das crenças estabelecidas e desalienação das pessoas.[31]

Sócrates, por meio da maiêutica, buscava revelar a verdade escondida nas concepções das pessoas, promovendo reflexão sobre valores e crenças.[32] A prática socrática é um instrumento de subversão da ilusão, estimulando questionamento das estruturas religiosas e sociais que mantêm a população em estado de alienação.

Dessa forma, “a vida não examinada não merece ser vivida”.[33] A maiêutica sugere que a emancipação intelectual é inseparável da capacidade de questionar dogmas e normas, incluindo aqueles propagados por autoridades religiosas, portanto, pode ser compreendida como técnica de resistência à “matrix” simbólica, ao incentivar a autonomia do pensamento.

Nietzsche, também, aborda a religião sob o prisma da ilusão e do poder. Para ele, Deus é uma construção que legitima a moralidade do “príncipe deste mundo”, criando sistemas de submissão e culpa que mantêm a ordem social e o conformismo.[34] Nesse sentido, a religião é parte de uma farsa que exige crítica radical para revelar a verdadeira natureza das estruturas de dominação.

Nietzsche denuncia que, Deus e a moralidade servem para legitimar a dominação: “A religião cristã tem sido o instrumento mais eficiente da domesticação da vontade humana”.[35] A “matrix” do mundo, está na internalização de regras que servem ao poder e não à emancipação das pessoas. Dessa forma, o medo, a culpa e a moralidade internalizada funcionam como mecanismos de controle ideológico.

Nietzsche afirma que, a moralidade cristã funciona como instrumento de domesticação da vontade humana, criando um sistema de culpa que legitima a submissão. Ele critica o dogma religioso, que, segundo ele, reprime a criatividade e a autonomia individual.[36] Desse modo, se amplia a discussão platônica, demonstrando que a alienação não está apenas na percepção sensível, mas na internalização de valores morais que sustentam a “matrix” do poder. O reconhecimento dessa manipulação é fundamental para a emancipação da consciência.

Em O Anticristo[37], denuncia o cristianismo enquanto mecanismo de domesticação da vontade humana, baseado na culpa, no medo e na negação da vida. Para o autor, a moral cristã internalizada constitui um dos pilares da matrix do poder, pois transforma valores impostos em convicções subjetivas.

Portanto, segundo Brandenburg, Nietzsche demonstra que a subversão da ilusão exige ruptura com a moralidade imposta, permitindo reconstrução ética baseada no conhecimento crítico, reflexão filosófica e a autonomia individual.[38]

1.2 Análise comparativa da religião como instrumento de poder e subversão social

A análise sociológica da religião revela sua ambivalência enquanto força de legitimação da ordem social e, simultaneamente, potencial instrumento de transformação. Os autores pesquisados fazem uma análise comparativa sobre a religião como instrumento de poder e subversão social. De igual maneira, Weber analisa como sistemas religiosos consolidam estruturas sociais e econômicas: “A religião fornece a racionalização necessária para legitimar a ordem social”.[39]

Essa legitimidade pode tanto reforçar a subserviência quanto permitir transformações sociais quando reinterpretada criticamente.[40] Essa análise é o efeito da ética religiosa na legitimação de sistemas econômicos e hierárquicos. A religião legitima ordens sociais, influenciando economia e hierarquias.[41]

Weber analisa a religião como um fator de racionalização e legitimação do poder, observando como sistemas religiosos estruturam comportamentos e consolidam hierarquias sociais.[42] Dessa forma, se destaca que sistemas religiosos consolidam comportamentos econômicos e sociais, legitimando hierarquias.[43] A religião, portanto, pode funcionar como instrumento de disciplina e controle, mas também pode inspirar mudança social quando reinterpretada criticamente.

Nesse sentido, a ética protestante exemplifica como crenças religiosas podem reforçar padrões de trabalho e conformismo social, mas também oferecem estratégias de racionalização e emancipação coletiva e pessoal.[44]

Similarmente, Marx interpreta a religião como o “ópio do povo”, instrumento de alienação que mantém as pessoas trabalhadoras submissas às condições de exploração material e simbólica.[45] Ambos os autores convergem na ideia de que os sistemas religiosos podem funcionar como uma “matrix” de controle social, mascarando relações de poder. A internalização de regras morais legítima sistemas de dominação, condicionando o comportamento humano na sociedade.

Para Marx, a religião mascara a exploração e mantém a alienação do povo: “A religião é o suspiro da criatura oprimida, o coração de um mundo sem coração”.[46] Ela funciona como um mecanismo de conformismo, mantendo as pessoas sob a influência do “príncipe deste mundo”. A religião é instrumento de alienação, reforçando relações de exploração. Desse modo, se demonstra como regimes históricos usaram a religião para alienação de massas.

A visão marxista revela a dimensão política da religião, mostrando que o “príncipe deste mundo” atua por meio de estruturas simbólicas que condicionam comportamentos, “a religião é a consciência ilusória de um mundo real que deveria ser transformado”,[47], ou “suspiro da criatura oprimida”[48] funcionando como mecanismo de alienação que desvia a atenção das condições materiais de exploração. Ao internalizar o sofrimento como divinamente ordenado, as pessoas permanecem conformadas pela ordem social vigente.

Foucault amplia essa análise, demonstrando que o poder opera não apenas através da coerção[49], mas pela produção de discursos e saberes que definem a verdade. As instituições religiosas, nesse sentido, são “máquinas de verdade” que disciplinam corpos, comportamentos e pensamentos, funcionando como mecanismos de subversão indireta, já que podem ser usados tanto para opressão quanto para resistência, assim, “o poder é uma rede de relações que produz efeitos de verdade”.[50]

Foucault amplia essa leitura ao demonstrar que o poder opera por meio da produção de discursos e saberes que definem o que é tomado como verdade. Desta forma, o autor evidencia que o poder opera através da produção de saberes e discursos, incluindo a religião, disciplinando corpos e pensamentos.[51] O poder opera através de discursos que produzem verdades e moldam comportamentos.[52] 

A alienação religiosa não é apenas moral, mas também epistemológica, condicionando a mente humana a aceitar a farsa do mundo. Assim, as instituições religiosas produzem discursos que definem a verdade e moldam comportamentos, criando um sistema de dominação simbólica.[53] 

O “príncipe deste mundo” atua não apenas por meio da coerção e poder[54], mas pela construção de narrativas e verdades institucionais, que reforçam alienação e conformismo das pessoas na sociedade.

Tabela 2 – Relação entre religião, poder e alienação

Nível de Alienação

Dominação Social

Influência Religiosa

Emancipação Potencial

Dogma religioso

Alienação e manipulação de crença

Ritos

Educação crítica, questionamento ético

Moralidade internalizada

Controle comportamental/ Submissão e conformismo

Regras

Consciência Crítica/ Reflexão filosófica e autonomia

Discurso institucional

Legitimidade de poder

Líderes religiosos

Fé consciente e resistência social/Questionamento ético

Intolerância religiosa

Violação de direitos, polarização

Obediência/submissão

Movimentos de proteção e diálogo inter-religioso

Fonte: Com dados Brasil/AL

Brandenburg argumenta teoricamente que a subversão religiosa ocorre quando a consciência crítica rompe com os códigos institucionais e sociais preestabelecidos, transformando a prática religiosa em um espaço de questionamento ético, social e político.[55] Assim, a religião pode tanto reforçar quanto desestabilizar o sistema dominante.

Analogamente, a tradição cristã descreve a presença do “príncipe deste mundo”[56], responsável por enganar e aprisionar a mente humana em ilusões provisórias.[57]

1.3 A Perspectiva teológica: o príncipe deste mundo

Na tradição cristã, a Bíblia refere-se ao “príncipe deste mundo”[58], as forças espirituais e ideológicas que enganam a humanidade e obscurece o discernimento (aquele quer enganar a humanidade). Essa figura simboliza as forças de ilusão que distorcem a percepção humana, criando uma matrix de dominação mental.[59] A tentação de Jesus no deserto[60] evidencia que o engano pode atuar por meio de desejos aparentemente legítimos.

No Evangelho de João, Jesus afirma que esse poder será julgado e expulso, enquanto Paulo declara que “o deus deste século cegou o entendimento dos incrédulos.” Essas passagens indicam que a alienação possui dimensão espiritual, mas se manifesta concretamente nas estruturas sociais e religiosas.

Nessa perspectiva, o “príncipe deste mundo” representa forças espirituais e ideológicas que distorcem a percepção humana construindo narrativas dominantes. Dessa forma, a tentação de Jesus no deserto evidencia a manipulação da mente humana por desejos aparentes. Percebemos que a subversão da alienação exige consciência crítica, fé fundamentada e discernimento ético e crítico.

Gráfico 2 – Influência do príncipe deste mundo na mente humana

Fonte: Com dados produzidos pelos autores do artigo (2026).

A Teologia crítica indica que a consciência crítica e a fé verdadeira funcionam como instrumentos de subversão da “matrix”, permitindo distinguir entre verdade e farsa.[62] Assim, “O deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos”.[63] Brandenburg interpreta essa perspectiva como caminho de libertação frente às ilusões promovidas por sistemas religiosos cooptados pelo poder.

Portanto, Brandenburg[64] interpreta que a teologia crítica oferece instrumentos de libertação frente às ilusões promovidas pelas instituições religiosas, educativas, sociais e poderes religiosos contemporâneos.

1.4 A Matrix do príncipe deste mundo: manipulação contemporânea

A tecnologia moderna, especialmente através das redes sociais e dos meios de comunicação digitais, desempenha um papel crucial na construção de uma realidade virtual que distorce a verdade. Plataformas como Facebook, WhatsApp, Instagram, Telegram e X (antigo Twitter) são projetadas para maximizar o engajamento, frequentemente à custa da veracidade das informações. Estudos indicam que boots e algoritmos amplificam conteúdos polarizadores e de baixa credibilidade, criando câmaras de eco que reforçam crenças pré-existentes e dificultam o discernimento da verdade.[65]

O documentário "O Dilema das Redes" destaca como essas plataformas utilizam técnicas de "capitalismo de vigilância", coletando dados pessoais para manipular comportamentos e opiniões, muitas vezes sem o conhecimento dos próprios usuários dos sistemas das redes.[66]

A desinformação, ou fake news, é uma ferramenta poderosa na construção da farsa do mundo. Segundo Arendt[67], a manipulação sistemática da verdade não é apenas um instrumento de governo, mas uma forma de remodelação da própria realidade social.[68] 

No Brasil, episódios como o linchamento de uma mulher em São Paulo, baseado em informações falsas disseminadas por redes sociais, exemplificam os perigos dessa manipulação.[69] Além disso, a propagação de notícias falsas pode afetar a saúde mental das pessoas, especialmente na adolescência, contribuindo para o aumento de taxas de suicídio e distúrbios psicológicos.[70]

Nesse sentido, a instrumentalização da religião para fins políticos é uma estratégia eficaz na manutenção da farsa do mundo. Líderes religiosos, como o patriarca Kirill da Igreja Ortodoxa Russa, alertam que a dependência de tecnologias modernas pode facilitar o surgimento do Anticristo, sugerindo que a internet e os smartphones são instrumentos de controle espiritual.[71]

No Brasil, pesquisas demonstram o uso estratégico de fake news religiosas em campanhas políticas, evidenciando a instrumentalização da fé como mecanismo de dominação simbólica.

Por fim, no Brasil, figuras como o youtuber católico Bernardo Küster[72] utilizam as redes sociais para promover discursos que misturam fé e política, influenciando a opinião pública e subvertendo ensinamentos cristãos tradicionais.[73]

2 Apresentação de dados

2.1 A Matrix do príncipe e a alienação humana

A noção de “príncipe deste mundo” pode ser entendida como metáfora da alienação social e religiosa. Os sistemas de poder, incluindo a religião institucionalizada, criam uma realidade manipulada, uma matrix que mantém as pessoas em estado de ilusão. Platão[74], Nietzsche[75] e Marx[76] convergem na percepção de que a emancipação depende da capacidade crítica de romper com essa falsa realidade.

A subversão, portanto, surge quando a pessoa ou coletividade reconhece as estratégias de dominação e busca alternativas de consciência e ação. Desse modo, Foucault[77] e Weber[78] destacam que a transformação social está vinculada à percepção dos mecanismos de poder e à capacidade de redefinir normas, inclusive religiosas, em termos mais humanos e libertadores. Nesse sentido, permite a identificação de mecanismos de dominação: dogma, moralidade internalizada, propaganda ideológica e política.

A Escritura descreve a ação do “príncipe deste mundo” como aquele que cega os entendimentos. Paulo afirma: “O deus deste século cegou o entendimento dos incrédulos, para que não lhes resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo”.[79] Jesus, por sua vez, declara: “Agora é o juízo deste mundo; agora será expulso o príncipe deste mundo”.[80] 

Essas passagens demonstram que a “matrix” da farsa mundial tem um caráter espiritual, mas que se manifesta nas estruturas sociais e religiosas. O Apocalipse 12 e 13[81] ilustra a relação entre alienação e manipulação social e como o poder político-religioso pode ser instrumentalizado para subjugar consciências e afastar as pessoas de Deus, especificamente na passagem bíblica “o grande dragão foi lançado fora. Ele é antiga serpente chamada Diabo ou Satanás, que engana o mundo todo [...]”.[82]

3 Discussão e análise de dados

A análise de dados empíricos demonstra que Brasil e América Latina evidenciam como a “matrix do príncipe deste mundo” se manifesta no contexto sociopolítico e religioso. Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, os casos de intolerância religiosa aumentaram 45% entre 2018 e 2022.[83] 

A Pew Research Center mostra que a América Latina enfrenta crescimento de perseguição contra minorias religiosas, particularmente contra religiões de matriz africana.[84] Já o Latinobarómetro aponta que mais de 60% dos latino-americanos desconfiam das instituições políticas, mas ainda confiam em líderes religiosos, o que abre espaço para manipulação política da fé.[85]

Tabela 2 – Intolerância religiosa no Brasil (2018–2022)

Ano    | Casos registrados
2018   | 506
2019   | 612
2020   | 693
2021   | 824
2022   | 923

Fonte: Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Segundo Foucault, o poder disciplinar se manifesta como uma rede de vigilância e normalização que molda comportamentos, cria hierarquias e impõe padrões sociais. Originalmente analisado em instituições como prisões, escolas e quartéis, esse conceito é hoje reproduzido nas plataformas digitais.

Gráfico 3 – A engrenagem da matrix do príncipe deste mundo

Fonte: Com dados produzidos pelos autores do artigo (2026).

A análise dos dados coletados na revisão bibliográfica e documentos históricos confirmam que, as mídias digitais potencializam a construção da farsa do mundo e atuação direta do “príncipe deste mundo” , cauterizando as pessoas.

Nesse sentido, os algoritmos de redes sociais funcionam como mecanismos de vigilância invisíveis, coletando dados sobre preferências, hábitos e interações dos usuários, e direcionando conteúdos que reforçam comportamentos desejados. Essa “disciplina algorítmica” transforma cada pessoa em objeto e objeto do poder, replicando o controle social em escala global e tornando a influência sobre opiniões, gostos e atitudes praticamente imperceptível, mas profundamente estruturante.[86]

Segundo Zuboff, o capitalismo de vigilância caracteriza-se pela apropriação unilateral da experiência humana como matéria-prima gratuita, transformando-a em dados comportamentais que são processados e comercializados para prever e influenciar comportamentos futuros das pessoas.[87]

No Brasil, estudos do ITS Rio demonstram que campanhas políticas têm se valido de fake news religiosas para mobilizar eleitores, caracterizando uma manipulação consciente da fé.[88] Essa articulação reforça o que Paulo adverte que “a nossa luta não é contra o sangue e a carne, e sim contra os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestes”.[89]

Nesse ponto, demonstramos, que ao longo da história, a religião tem sido frequentemente instrumentalizada por projetos ideológicos de diferentes matrizes políticas e essa relação entre religião e ideologia é marcada por tensões e ambiguidades.

Essa constatação emerge tanto das obras clássicas — como as reflexões sobre a banalidade do mal[90] — A banalização do mal revela como estruturas burocráticas podem neutralizar a responsabilidade ética individual quanto das contribuições contemporâneas — que discute o medo e a insegurança em tempos líquidos.[91] A modernidade líquida intensifica a fragilidade dos vínculos sociais e a insegurança existencial, como elementos propícios à ascensão de discursos religiosos extremistas.

Exemplos Históricos e Contemporâneos de Farsa do Mundo:

  1. Idade Média: Controle da Igreja sobre conhecimento e censura de heresias;[92]
  2. Século XX: Regimes totalitários utilizando religião e ideologia para legitimar opressão e repressão;[93]
  3. Sociedade contemporânea: Redes sociais, fake news e manipulação de crenças religiosas e políticas como extensão da “matrix do príncipe deste mundo”.[94]

Nessa análise, observamos que, ao cruzar os referenciais teóricos com a análise bíblica e os dados reais, percebe-se que a “matrix do príncipe deste mundo” se sustenta na alienação (Marx)[95], no controle de discursos (Foucault)[96], na racionalização da religião (Weber)[97] e na negação do transcendente (Nietzsche).[98] 

Tabela 3 – Exemplos de farsa e dominação mental

Contexto

Estratégia de Dominação

Instrumento Religioso/Ideológico

Idade Média

Censura e dogma

Igreja institucional

Regimes totalitários

Propaganda, medo

Culto à ideologia

Século XXI

Fake news, polarização

Redes sociais, mídia, marketing

Fonte: Com dados produzidos pelos autores do artigo (2026).

Essa engrenagem produz uma subversão das religiões, transformando-as em instrumentos de dominação. O fenômeno é visível no Brasil e na América Latina, onde líderes políticos instrumentalizam a fé como mecanismo de legitimação, reforçando a farsa descrita pelas Escrituras.

Gráfico 4 – Caminhos de libertação da farsa do mundo

Fonte: Com dados produzidos pelos autores do artigo (2026).

Finalmente, nesse sentido, temos a possibilidade de:

Identificação de mecanismos de dominação: dogma, moralidade internalizada e propaganda ideológica.

Relação entre alienação e manipulação social.

Filosofia, sociologia e teologia convergem na necessidade de romper ilusões impostas e perceber verdades subjacentes.

Narrativa: regimes que manipulam a religião internalizaram a submissão, mas movimentos de consciência crítica romperam essas estruturas.

4 Resultado

Os resultados indicam que a “matrix do príncipe deste mundo” não é apenas uma metáfora, mas um processo real que atua no nível espiritual e social. A análise mostrou: (a) aumento da intolerância religiosa; (b) manipulação política da fé; (c) uso da tecnologia e das mídias como ferramentas de dominação; (d) distorção da essência das religiões, afastando as pessoas de Jesus Cristo.

A análise evidencia que o mundo funciona como uma farsa, manipulada pelo “príncipe deste mundo”, tanto na perspectiva filosófica quanto teológica e sociológica. A religião, quando instrumentalizada, contribui para a alienação e dominação. Assim, ela também possui potencial subversivo das pessoas.[99]

Contudo, a crítica filosófica, a emancipação intelectual e a fé consciente podem romper a “matrix”, transformando as pessoas e sociedades. Esse efeito é evidência de que a alienação religiosa e ideológica mantém a pessoa em uma “matrix” de poder e que a subversão depende da consciência crítica, educação e fé emancipada.

Gráfico 5 – Fluxo de alienação e emancipação

Fonte: Com dados produzidos pelos autores do artigo (2026).

Como resultado, o gráfico demonstra que a matrix produz na sociedade:

Dogma religioso: cria aceitação acrítica de normas.

Moralidade internalizada: legitima a submissão e limita autonomia.

Discurso institucional: molda comportamentos e crenças.

Paradoxalmente, apesar da maior pluralidade religiosa, o Brasil tem registrado um aumento nos casos de intolerância religiosa.[100] Em 2024, o país registrou 3.853 violações motivadas por intolerância religiosa, um aumento de mais de 80% em relação a 2023.[101] Esse fenômeno evidencia como a diversidade religiosa pode ser acompanhada por desafios relacionados ao respeito e à convivência pacífica entre diferentes crenças.

A farsa do mundo pode ser interpretada, também, como a manipulação das crenças e valores das populações, levando-as a aceitar realidades distorcidas. No contexto brasileiro, isso se manifesta na forma como certos grupos religiosos utilizam a fé para exercer controle social e político. A ascensão de movimentos religiosos que promovem discursos de ódio e intolerância, muitas vezes mascarados por uma fachada de moralidade, exemplifica essa manipulação atual.

A "matrix do príncipe deste mundo" refere-se à subversão dos sistemas religiosos tradicionais, desviando-os de seus princípios originais e utilizando-os para fins de poder e dominação. No Brasil, isso pode ser observado na instrumentalização da religião para justificar práticas discriminatórias e autoritárias, distorcendo os ensinamentos religiosos em benefício de agendas políticas específicas.

A subversão da “matrix do príncipe deste mundo” refere-se ao modo operante das estruturas sociais, políticas, econômicas e religiosas são instrumentalizadas para aprisionar as pessoas em uma realidade ilusória, marcada pela distorção da verdade e pela manipulação da consciência. Assim, a expressão bíblica “príncipe deste mundo” é tradicionalmente associada a Satanás, aquele que domina os sistemas humanos corrompidos pelo pecado e pela mentira.

Nesse sentido, a “matrix” simboliza a rede de dispositivos de poder que criam percepções artificiais de liberdade e segurança, quando, na realidade, produzem sujeição. Dessa forma, a modernidade líquida favorece formas sutis e fluídas de controle social, que esvaziam valores e corroem vínculos comunitários, e também, possui o poder disciplinar como uma malha invisível de vigilância e normalização. Assim, a subversão da “matrix” evidencia a perversão da verdade espiritual e a redução da fé e da cultura a instrumentos de manipulação ideológica.

Portanto, as referências aqui cruzadas entre Platão, Nietzsche, Marx, Weber, Foucault, Brandenburg e passagens bíblicas demonstram que a emancipação exige consciência crítica, discernimento espiritual e ação ética. Assim, a farsa do mundo pode ser desvelada, e a humanidade pode transcender a influência do “príncipe deste mundo”. Desse modo, teremos a possibilidade de subversão da “matrix” através da:

Filosofia, sociologia e teologia convergem na necessidade de romper ilusões;

Resistência crítica e emancipação espiritual frente a sistemas opressivos;

Rompimento da alienação tecnológica da “matrix do príncipe deste mundo”;

Educação crítica, reflexão filosófica, consciência ética e fé emancipada.

Nesse sentido, a libertação da subversão da “matrix do príncipe deste mundo” exige uma atitude integral: espiritual, ao reconhecer Jesus Cristo como a verdade que rompe as trevas; crítica, ao desenvolver consciência sobre as forças ideológicas que aprisionam; e prática, ao viver uma fé comprometida com a liberdade, a justiça e a dignidade humana.

Portanto, trata-se de um movimento que alia discernimento espiritual e consciência social, capaz de desmontar tanto as ilusões produzidas pelo poder quanto as manipulações da fé para fins ideológicos. Desse modo, a conscientização da “matrix do príncipe deste mundo” permite ação ética, espiritual e social, promovendo subversão construtiva.

Finalmente, a subversão construtiva é um processo de ruptura crítica que não se limita à negação, mas promove transformações criativas e emancipadoras. É um movimento de contestação que gera alternativas mais humanas, éticas e justas.

Conclusões

O mundo como farsa é um conceito que atravessa milênios de pensamento, da filosofia clássica à crítica sociológica moderna. A “matrix do príncipe deste mundo” representa a manipulação simbólica e social que os sistemas religiosos podem exercer sobre as pessoas. Ao mesmo tempo, a subversão desses sistemas, seja pela crítica filosófica, seja pela consciência política ou religiosa, evidencia a possibilidade de emancipação.

A América Latina, apesar de sua rica diversidade religiosa, enfrenta desafios significativos relacionados à liberdade religiosa. Países como Nicarágua, Venezuela, Haiti e Cuba estão entre os que mais violam a liberdade religiosa, com discriminações e perseguições em razão da fé. Esses episódios refletem como sistemas de poder utilizam a religião para controlar e oprimir populações, subvertendo os princípios de liberdade e justiça.

Apesar dos desafios, há movimentos de resistência que buscam resgatar a verdadeira essência da fé religiosa, promovendo a liberdade, a justiça e a convivência pacífica entre diferentes crenças. Esses movimentos representam uma tentativa de romper com a "farsa do mundo" e a "matrix do príncipe deste mundo", buscando uma espiritualidade autêntica e transformadora.

Platão, Sócrates, Nietzsche, Marx, Weber, Foucault e Brandenbrug fornecem ferramentas teóricas para compreender como a ilusão e o poder se entrelaçam, mostrando que a ruptura com a matrix exige reflexão crítica, coragem intelectual e ação ética. Assim, a religião e a filosofia, longe de serem apenas instrumentos de dominação, também podem tornar-se caminhos de libertação e subversão construtiva.

A pesquisa evidencia que a farsa do mundo é sustentada por múltiplos sistemas: filosóficos, sociopolíticos, tecnológicos e espirituais. Contudo, a Bíblia anuncia que o príncipe deste mundo já foi julgado e que a verdade de Jesus Cristo liberta. Portanto, as recomendações que decorrem deste artigo apontam para o fortalecimento da educação, teologia e a comunidade cristã resistirem à matrix por meio do discernimento crítico e da fé.

A análise confirma a hipótese: os sistemas religiosos e ideológicos podem alienar, mas também possuem potencial de subversão. A emancipação ocorre via a quatro dimensões a saber:

Educação crítica (platônica e socrática)

Reflexão filosófica (nietzschiana)

Fé consciente e teologicamente fundamentada (bíblica)

Transformação social (weberiana e foucaultiana)

A “matrix do príncipe deste mundo” é real, mas não invencível: discernimento, crítica e ação ética oferecem caminhos de libertação. A farsa do mundo pode ser rompida através do discernimento, da ação ética e espiritualidade consciente que oferecem caminhos de emancipação.

A análise do cenário religioso no Brasil e na América Latina revela como a "farsa do mundo" e a "matrix do príncipe deste mundo" se manifestam na manipulação das crenças e valores das populações, bem como na subversão dos sistemas religiosos para fins de poder e controle.

Enfim, é fundamental promover uma reflexão crítica sobre esses fenômenos, buscando resgatar a verdadeira essência da fé religiosa e promover uma convivência pacífica e respeitosa entre as diversas crenças presentes na sociedade.

Recomendações para Trabalhos Futuros

Diante desse contexto, se recomenda que futuras investigações avancem em algumas direções estratégicas. Primeiramente, torna-se relevante o desenvolvimento de investigações empíricas sobre a circulação de conteúdos religiosos em plataformas digitais, combinando análise quantitativa de dados com etnografia digital. Em segundo lugar, sugere-se aprofundar o estudo de experiências religiosas contra hegemônicas, capazes de promover justiça social, direitos humanos e formação da consciência crítica. Em terceiro lugar, investigações no campo educacional podem investigar práticas pedagógicas voltadas ao letramento midiático religioso, integrando filosofia, sociologia e teologia crítica na formação docente e discente.

Além disso, se recomenda a ampliação do diálogo teórico com teorias contemporâneas sobre capitalismo de vigilância, psicopolítica, biopolítica algorítmica e sociedade da informação, a fim de consolidar o conceito de “matrix” como categoria analítica interdisciplinar. Estudos comparativos internacionais também podem enriquecer a compreensão das relações entre religião, populismo, tecnologia e poder em diferentes contextos culturais e sociais.

Por fim, os resultados sugerem a necessidade de construção de um modelo teórico integrado que articule alienação, dominação simbólica, racionalização religiosa, produção discursiva e dimensão espiritual. Tal modelo pode contribuir para uma teoria crítica da manipulação religiosa contemporânea, evitando tanto reducionismos secularizantes quanto leituras teológicas descontextualizadas.

Nesse horizonte, finalmente, se recomenda que a tarefa acadêmica consiste não apenas em diagnosticar os mecanismos da alienação, mas em informar práticas intelectuais e espirituais que promovam verdade, justiça e emancipação da consciência humana de qualquer tipo de subjugação cognitiva e espiritual.

Bibliografias

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Las opiniones, análisis y conclusiones del autor son de su responsabilidad y no necesariamente reflejan el pensamiento de Revista Inclusiones.


[1] Platão, “A República”. Livro VII, trad. Maria Helena da Rocha Pereira. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 315-325. (2001).

[2] No Novo Testamento, o termo kósmos pode designar o universo físico, a humanidade como objeto do amor de Deus, ou ainda a ordem mundana em oposição a Deus, dominada pelo pecado e por Satanás. George Eldon Ladd. “Teologia do Novo Testamento”. São Paulo: Hagnos, 522. (2001).

[3] Matrix designa uma estrutura que determina, organiza e condiciona as ações e percepções dentro de um sistema, seja ele social, cultural ou tecnológico. Pierre Bourdieu. “O poder simbólico”. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 23. (1989).

[4] A subversão dos sentidos, entendida como um processo de deturpação da percepção e da experiência humana, atravessa diferentes tradições intelectuais. Friedrich Nietzsche. “A genealogia da moral”. Trad. Paulo César de Souza. São Paulo: Companhia das Letras, 32. (2005). Identifica nela a “grande inversão de valores” da moral cristã, enquanto Michel Foucault. “Vigiar e punir: nascimento da prisão”. Trad. Raquel Ramalhete. Petrópolis: Vozes, 25. (2010). A relaciona à disciplinarização dos corpos e à reorganização social da sensibilidade. Karl Marx. “Manuscritos econômico-filosóficos”. São Paulo: Boitempo, 78. (2008). Acrescenta a dimensão da alienação, que priva o homem da fruição plena dos sentidos, submetendo-os à lógica do capital. Do ponto de vista teológico, a Escritura reconhece que “o deus deste século cegou o entendimento dos incrédulos”. Bíblia Sagrada. “Nova Versão Internacional”. São Paulo: Vida, 2 Coríntios 4:4. 1721 (2000). Revelando a dimensão espiritual dessa manipulação.

[5] Karl Marx. “Manuscritos econômico-filosóficos”, 78.

[6] Karl Marx. “Crítica da filosofia do direito de Hegel”. São Paulo: Abril Cultural, 35. (1996).

[7] Bíblia Sagrada. 1586, João 12:31, 1586.

[8] Bíblia Sagrada. 1721, 2 Coríntios 4:4.

[9] A “farsa do mundo” pode ser entendida como um conjunto de mecanismos de ilusão que distorcem a percepção da realidade. Platão, A República, 218. já alertava para a condição humana de prisioneiros das aparências, enquanto Friedrich Nietzsche. A genealogia da moral, 87. Denunciava a moral tradicional como uma “longa mentira” útil à dominação. Karl Marx e Friedrich Engels. “A ideologia alemã”. São Paulo: Boitempo, 72. (2007). Descrevem a ideologia como a farsa que sustenta a ordem social capitalista, ao passo que Michel Foucault. “A ordem do discurso”. São Paulo: Loyola, 10. (2008). Aponta o discurso como arma estratégica de manipulação. Do ponto de vista teológico, a Escritura afirma que “o mundo inteiro jaz no maligno” Bíblia Sagrada, 1 João 5:19, revelando que essa farsa tem também uma dimensão espiritual, ligada ao domínio do “príncipe deste mundo”.

[10] Platão. “Apologia de Sócrates”. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian (2001).

[11] Nietzsche, Friedrich. “O Anticristo”. São Paulo: Companhia das Letras (2007).

[12] Marx, Karl. “Manuscritos econômico-filosóficos”. São Paulo: Boitempo (2008).

[13] Weber, Max. “A ética protestante e o espírito do capitalismo”. Tradução de José Marcos Mariani de Macedo. São Paulo: Companhia das Letras (2002).

[14] Foucault, Michel. “Microfísica do poder”. Organização de Roberto Machado. Rio de Janeiro: Graal (2008).

[15] Contra-hegemônico é o movimento ou discurso que procura desestabilizar as ideias e valores impostos pela ordem dominante, oferecendo alternativas de organização social e cultural. Antonio Gramsci. “Cadernos do cárcere”. Vol. 1. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 57, 1978.

[16] Pew Research Center. Harassment of religious groups returned to peak level in (2024). https://www.pewresearch.org/religion/2024/03/05/harassment-of-religious-groups-returned-to-peak-level-in-2021

[17] Fórum brasileiro de segurança pública. “Relatório de intolerância Religiosa”. São Paulo (2023).

[18] Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio (ITS Rio). “Avaliação de riscos de desinformação: o mercado de notícias online no Brasil”. Rio de Janeiro, (2021).
https://itsrio.org/pt/publicacoes/relatorio-avaliacao-de-riscos-de-desinformacao-o-mercado-de-noticias-online-no-brasil/

[19] Brasil. MGI. (2020). Estado, Democracia e Desigualdades na América Latina e Caribe. https://www.gov.br/gestao/pt-br/central-de-conteudo/relatorio-clad-portugues.pdf 

[20] Platão. A República. 218.

[21] Platão. A República. 214.

[22] Platão. A República. 215.

[23] Platão. A República. 216.

[24] Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio De Janeiro (ITS RIO). “Fake News e campanhas eleitorais: estratégias e ferramentas de ação”. Rio de Janeiro (2022). https://itsrio.org/pt/cursos/fake-news-e-campanhas-eleitorais/ 

[25] Brasil. MGI. (2020). Estado, Democracia e Desigualdades na América Latina e Caribe. https://www.gov.br/gestao/pt-br/central-de-conteudo/relatorio-clad-portugues.pdf 

[26] Platão. A República. 216.

[27] L. E. Brandenburg. “Filosofia e consciência crítica”. São Paulo: Cortez, 57. (2018).

[28] Brandenburg, Laude Erandi. “Religião e Subversão”. São Paulo: Paulus (2009).

[29] Brandenburg, Filosofia e consciência crítica, 58.

[30] Brandenburg, Filosofia e consciência crítica, 59.

[31] Brandenburg, Filosofia e consciência crítica, 60.

[32] Brandenburg, Filosofia e consciência crítica, 61.

[33] Brandenburg, Filosofia e consciência crítica, 59.

[34] Nietzsche, A genealogia da moral, 87.

[35] Nietzsche, A genealogia da moral, 87.

[36] Nietzsche, A genealogia da moral, 87.

[37] Nietzsche, O Anticristo, 89.

[38] Brandenburg, Filosofia e consciência crítica, 75.

[39] Max Weber. “A ética protestante e o espírito do capitalismo”. Trad. José Marcos Mariani de Macedo. São Paulo: Companhia das Letras, 45. (2002).

[40] Foucault, Michel. “Segurança, território, população”. São Paulo: Martins Fontes, 50 (2010).

[41] Weber, A ética protestante e o espírito do capitalismo, 45.

[42] Weber, A ética protestante e o espírito do capitalismo, 45.

[43] Weber, A ética protestante e o espírito do capitalismo, 47.

[44] Weber, A ética protestante e o espírito do capitalismo, 48.

[45] Karl Marx. “Crítica da filosofia do direito de Hegel”. Trad. Rubens Enderle. São Paulo: Abril Cultural, 74. (1996).

[46] Marx, Crítica da filosofia do direito de Hegel, 72.

[47] Marx, Crítica da filosofia do direito de Hegel, 74.

[48] Marx, Crítica da filosofia do direito de Hegel, 73.

[49] Michel Foucault. “Vigiar e punir: nascimento da prisão”. Trad. Raquel Ramalhete. Petrópolis: Vozes, 144. (1999).

[50] Foucault, Vigiar e punir, 144.

[51] Foucault, Vigiar e punir, 145.

[52] Foucault, Vigiar e punir, 146.

[53] Foucault, Vigiar e punir, 147.

[54] Zuboff, Shoshana. “A era do capitalismo de vigilância: a luta por um futuro humano na nova fronteira do poder”. Tradução de George Schlesinger. São Paulo: Intrínseca, 60 (2019).

[55] Brandenburg, Filosofia e consciência crítica, 59.

[56] Bíblia Sagrada, 1586, João 12:31.

[57] Bíblia Sagrada, 1721, 2 Coríntios 4:4.

[58] Bíblia Sagrada, 1586, Jo 12:31

[59] Bíblia Sagrada, 1754, Efésios 2:2.

[60] Bíblia Sagrada, 1398, Mat. 4:1-11.

[61] Orlowski, Jeff, dir. “O dilema das redes (The Social Dilemma)”. Produção de Larissa Rhodes. Documentário. Estados Unidos: Netflix (2020).

[62] Bíblia Sagrada, 1731, 2 Coríntios 11:14.

[63] Bíblia Sagrada, 1721, 2 Coríntios 4:4.

[64] Brandenburg, Filosofia e consciência crítica, 88.

[65] Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio (ITS Rio). “Avaliação de riscos de desinformação: o mercado de notícias online no Brasil”, 56.

[66] Jeff Orlowski (dir.). “O dilema das redes (The Social Dilemma)”.

[67] Arendt, Hannah. “Entre o passado e o futuro”. São Paulo: Perspectiva, 65 (2013).

[68] Pesquisa da UFRJ aponta propagação de fake news em grupos religiosos no WhatsApp. “Desinformante. (2021). https://desinformante.com.br/pesquisa-da-ufrj-aponta-propagacao-de-fake-news-em-grupos-religiosos-no-whatsapp/.

[69]68 Jorge Amilcar de Castro Santana e Camilla Fogaça. “Fake news, política e racismo religioso no Brasil (2020–2022)”. Revista Estudos de Sociologia 28, n. 2 1-20. (2023). https://periodicos.fclar.unesp.br/estudos/article/view/17382.        

[70] Santana e Fogaça. (2023). “Fake news, política e racismo religioso no Brasil.” (2023). https://periodicos.fclar.unesp.br/estudos/article/view/17382.

[71] Jornal Grande Bahia. “O Anticristo usará a internet para controlar a humanidade, diz líder religioso da Rússia”. (2019). https://jornalgrandebahia.com.br/2019/01/anticristo-usara-internet-para-controlar-humanidade-diz-lider-religioso-da-russia/ 

[72] Bernardo Küster, vídeo no YouTube. https://www.youtube.com/watch?v=kuWbcoBxB_g

[73] Mayrink, Manoela; Meimaridis, Melina. “Catolicismo e política na era digital: o caso de Bernardo Küster e a Teologia da Libertação no YouTube”. Mídia e Cotidiano, v. 18, n. 1, p. 53-73, jan. (2024).https://periodicos.uff.br/midiaecotidiano/article/view/59753.

[74] Platão, A República, 56.

[75] Nietzsche, A genealogia da moral, 60.

[76] Marx, Crítica da filosofia do direito de Hegel, 65.

[77] Foucault, Vigiar e punir, 38.

[78] Weber, A ética protestante e o espírito do capitalismo, 37.

[79] Bíblia Sagrada, 1721, 2 Coríntios 4:4.

[80] Bíblia Sagrada, 1586, João 12:31.

[81] Bíblia Sagrada, 1853-1854, Apocalipse. 13.

[82] Bíblia Sagrada, 1854, Apocalipse. 12:9.

[83] Brasil. Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania. Combate à intolerância religiosa volta à agenda do Governo Federal. Brasília. (2023). https://www.gov.br/mdh/pt-br/assuntos/noticias/combate-a-intolerancia-religiosa-volta-a-agenda-do-governo-federal 

[84] Pew Research Center. Harassment of religious groups returned to peak level in 2021. (2024).

https://www.pewresearch.org/religion/2024/03/05/harassment-of-religious-groups-returned-to-peak-level-in-2021/ 

[85] Brasil. MGI. (2020). Estado, Democracia e Desigualdades na América Latina e Caribe. https://www.gov.br/gestao/pt-br/central-de-conteudo/relatorio-clad-portugues.pdf 

[86] Foucault, Vigiar e punir, 144.

[87] Zuboff, Shoshana. “A era do capitalismo de vigilância, 3.

[88] Instituto de tecnologia e sociedade do Rio de Janeiro (ITS RIO). “Fake News e campanhas eleitorais: estratégias e ferramentas de ação”. Rio de Janeiro. (2022). https://itsrio.org/pt/cursos/fake-news-e-campanhas-eleitorais/ 

[89] Bíblia Sagrada, 1751, Ef. 6:12.

[90] Hannah Arendt. “Eichmann em Jerusalém: um relato sobre a banalidade do mal”. Trad. José Rubens Siqueira. São Paulo: Companhia das Letras, 87-90. (2013).

[91] Zygmunt Bauman. “Modernidade líquida”. Rio de Janeiro: Zahar, 50. (2017).

[92] Marx, Crítica da filosofia do direito de Hegel, 770.

[93] Weber, A ética protestante e o espírito do capitalismo, 54.

[94] Foucault, Vigiar e punir, 162.

[95] Marx, Crítica da filosofia do direito de Hegel, 771.

[96] Foucault, Vigiar e punir, 163.

[97] Weber, A ética protestante e o espírito do capitalismo, 55.

[98] Nietzsche, A genealogia da moral, 61.

[99] Machado, Carly; BURITY, Joanildo. Evangelical Christian Media and Covid-19 in Brazil. Social Science Research Council – Covid-19 Fieldnotes, (2020).https://items.ssrc.org/covid-19-and-the-social-sciences/covid-19-fieldnotes/ evangelical-christian-media-and-covid-19-in-brazil/

[100] O São Paulo. Países da América Latina estão entre os que mais violam a liberdade religiosa. Jornal O São Paulo (2024). https://osaopaulo.org.br/mundo/paises-da-america-latina-estao-entre-os-que-mais-violam-a-liberdade-religiosa/

[101] CNN Brasil. “A intolerância religiosa no Brasil cresceu mais de 80% em 2024: foram 3.853 violações motivadas por religioso”. CNN Brasil. (2025). https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/intolerancia-religiosa-no-brasil-cresceu-mais-de-80-diz-estudo/