Perfil etário, idade de início e tempo de permanência no rugby em cadeira de rodas no Brasil - Volumen 13 Número 2 - Página —-
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ISSN 0719-4706 | |
Perfil etário, idade de início e tempo de permanência no rugby em cadeira de rodas no Brasil
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Age Profile, Age at Entry, and Length of Participation in Wheelchair Rugby in Brazil
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Perfil etario, edad de inicio y tiempo de permanencia en el rugby en silla de ruedas en Brasil
Gerson André Vieira
Universidade Federal doParaná, Brasil
gerson.marli2019@gmail.com
https://orcid.org/0009-0005-1513-3580
Ms. Rafael Estevam Reis
Centro Universitário Cesumar, Brasil
rafael_e_reis@hotmail.com
https://orcid.org/0000-0002-6204-4151
Doralice Lange de Souza
Universidade Federal doParaná, Brasil
desouzdo@yahoo.com
https://orcid.org/0000-0001-7330-6156
Fecha de Recepción: 3 de febrero de 2026
Fecha de Aceptación: 17 de marzo de 2026
Fecha de Publicación: 28 de marzo de 2026
Financiamiento:
Los autores declaran que este estudio no recibió financiación externa. Los recursos fueron proporcionados por los propios autores.
Conflictos de interés:
Los autores también declaran no tener ningún conflicto de intereses.
Correspondencia:
Nombres y Apellidos: Gerson André Vieira
Correo electrónico: gerson.marli2019@gmail.com
Dirección postal: R. XV de Novembro, 1299 - Centro, Curitiba - PR, 80060-000, Brasil
Los autores retienen los derechos de autor de este artículo. Revista Inclusiones publica esta obra bajo una licencia Creative Commons Atribución 4.0 Internacional (CC BY 4.0), que permite su uso, distribución y reproducción en cualquier medio, siempre que se cite apropiadamente a los autores originales.
https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/
Resumo
Este estudo investigou o perfil etário e a idade média de ingresso de atletas brasileiros de Rugby em Cadeira de Rodas (RCR) registrados na Associação Brasileira de Rugby em Cadeira de Rodas (ABRC). Trata-se de um estudo observacional, descritivo-comparativo, de abordagem quantitativa, baseado em dados oficiais do período de 2023 a 2025. A amostra foi composta por 231 atletas distribuídos em três níveis competitivos: Nível de Acesso (2ª Divisão), Elite Nacional (1ª Divisão) e Excelência Nacional (Seleção Brasileira). Os resultados indicam uma redução progressiva da idade média à medida que o nível competitivo aumentava (39,5; 38,0; e 35,9 anos). O ingresso ocorreu em idades progressivamente menores nos níveis mais elevados (34,2; 29,6; e 26,1 anos). Observou-se homogeneidade etária nas classes baixas e médias, enquanto as classes mais altas apresentaram maior variabilidade. Conclui-se que o perfil etário está associado à progressão competitiva no RCR brasileiro.
Palavras-chave: Esporte adaptado; Rugby em cadeira de rodas; Faixa etária; Atletas paralímpicos; Classificação esportiva
Abstract
This study investigated the age profile and mean age at entry of Brazilian Wheelchair Rugby (WR) athletes registered with the Brazilian Wheelchair Rugby Association (ABRC). It is an observational, descriptive-comparative study with a quantitative approach, based on official data from 2023 to 2025. The sample comprised 231 athletes distributed across three competitive levels: Access Level (2nd Division), National Elite (1st Division), and National Excellence (Brazilian National Team). Results indicate a progressive decrease in mean age as competitive level increased (39.5, 38.0, and 35.9 years). Entry into the sport occurred at progressively younger ages at higher levels (34.2, 29.6, and 26.1 years). Age homogeneity was observed in lower and middle sport classes, while higher classes showed greater variability. It is concluded that age profile is associated with competitive progression in Brazilian WR.
Keywords: Adapted sport; Wheelchair rugby; Age group; Paralympic athletes; Sport classification
Resumen
Este estudio investigó el perfil etario y la edad media de ingreso de atletas brasileños de Rugby en Silla de Ruedas (RSR) registrados en la Asociación Brasileña de Rugby en Silla de Ruedas (ABRC). Se trata de un estudio observacional, descriptivo-comparativo, de enfoque cuantitativo, basado en datos oficiales del período 2023–2025. La muestra estuvo compuesta por 231 atletas distribuidos en tres niveles competitivos: Nivel de Acceso (2.ª División), Elite Nacional (1.ª División) y Excelencia Nacional (Selección Brasileña). Los resultados indican una reducción progresiva de la edad media a medida que aumentaba el nivel competitivo (39,5; 38,0; y 35,9 años). El ingreso ocurrió en edades progresivamente menores en los niveles más altos (34,2; 29,6; y 26,1 años). Se observó homogeneidad etaria en las clases bajas y medias, mientras que las clases más altas presentaron mayor variabilidad. Se concluye que el perfil etario está asociado a la progresión competitiva en el RSR brasileño.
Palabras claves: Deporte adaptado; Rugby en silla de ruedas; Franja etaria; Atletas paralímpicos; Clasificación deportiva.
INTRODUÇÃO
A análise das trajetórias de desenvolvimento esportivo constitui um tema central na literatura, pois permite compreender os processos de progressão, permanência e rendimento dos atletas nos sistemas esportivos. Os modelos contemporâneos de carreira concebem o desenvolvimento atlético como um percurso dinâmico, caracterizado por fases e transições ao longo do tempo, no qual a idade cronológica desempenha papel relevante no planejamento de treinamentos, competições e políticas de desenvolvimento esportivo.[1] [2] No contexto paralímpico, entretanto, essas trajetórias apresentam maior complexidade, uma vez que frequentemente se afastam dos padrões observados no esporte olímpico, em razão da interação entre fatores biográficos, funcionais e contextuais.[3]
Um levantamento recente envolvendo 5.540 atletas participantes dos Jogos Paralímpicos de Paris 2024 evidenciou uma ampla diversidade etária no alto rendimento paralímpico. Observaram-se médias etárias mais elevadas em modalidades como a para-equitação (38 anos), para-arco e flecha (37 anos) e levantamento de peso (36 anos), e médias mais baixas em modalidades como para-natação (25 anos), para-taekwondo (27 anos) e para-atletismo (29 anos).[4] Essa heterogeneidade etária está fortemente associada ao momento de aquisição da deficiência, considerado um fator decisivo nas trajetórias esportivas no paradesporto.
A literatura aponta que atletas com deficiências congênitas ou adquiridas precocemente tendem a alcançar marcos esportivos em idades mais jovens, enquanto aqueles que adquirem a deficiência tardiamente costumam ingressar no sistema esportivo já na vida adulta.[5] Ainda assim, esses atletas podem apresentar progressões aceleradas entre os diferentes estágios da carreira esportiva, compensando, em parte, o ingresso tardio.[6] [7] Deste modo, idade cronológica, histórico de vida e condições funcionais configuram dimensões indissociáveis para a compreensão das trajetórias no esporte paralímpico.
Apesar do avanço da literatura internacional sobre trajetórias no paradesporto, grande parte dos estudos tem se concentrado em atletas de elite e em contextos caracterizados por sistemas esportivos consolidados e maior disponibilidade de recursos.[8] A ampliação do escopo analítico para além do topo da pirâmide esportiva mostra-se fundamental para compreender se os padrões observados no alto rendimento refletem a realidade da base nacional ou se existem barreiras relacionadas à renovação geracional e à permanência dos atletas na modalidade.
Diante desse contexto, o presente estudo tem como objetivo investigar o perfil etário, a idade média de ingresso e o tempo médio de permanência na modalidade de atletas brasileiros de Rugby em Cadeira de Rodas (RCR) registrados na Associação Brasileira de Rugby em Cadeira de Rodas (ABRC), considerando as diferentes classes esportivas e comparando três níveis competitivos: atletas da segunda divisão dos campeonatos nacionais, atletas da primeira divisão e atletas convocados para a Seleção Brasileira.
Optou-se pelo RCR como objeto de investigação, pois esta modalidade é exclusivamente dedicada a indivíduos com comprometimentos funcionais severos em três ou quatro membros, o que resulta na predominância de atletas com deficiências adquiridas, especialmente decorrentes de lesões medulares cervicais (tetraplegia). Essa especificidade está associada, em muitos casos, a padrões de ingresso esportivo mais tardios quando comparados a outras modalidades paralímpicas,[9] tornando o RCR um contexto particularmente interessante para a análise das trajetórias etárias.
Criado no Canadá, na década de 1970, como alternativa ao basquetebol em cadeira de rodas para atletas com tetraplegia, o RCR consolidou-se internacionalmente e passou a integrar o programa dos Jogos Paralímpicos a partir de Sydney 2000. É uma modalidade coletiva disputada em quadra, caracterizada por elevado contato físico, alta intensidade e disputas territoriais constantes, nas quais as equipes buscam ultrapassar a linha de gol adversária mantendo o controle da bola.[10]
Uma característica central do RCR é a organização das equipes por meio do sistema de classificação esportiva, que visa equilibrar as condições de competição entre atletas com diferentes níveis de comprometimento funcional. Na modalidade, os atletas são distribuídos em sete classes esportivas, com pontuações que variam de 0,5 a 3,5 pontos, sendo que valores mais baixos indicam maior comprometimento motor e valores mais elevados correspondem a atletas com menor comprometimento funcional.[11] Nas competições organizadas pela World Wheelchair Rugby (WWR), a soma das pontuações dos quatro atletas em quadra não pode ultrapassar oito pontos, exigindo composições estratégicas entre diferentes classes esportivas. O RCR é uma modalidade mista, com regras específicas de compensação pontual para a participação de mulheres em quadra.[12] No contexto do RCR, as funções desempenhadas pelos atletas e suas possibilidades de permanência competitiva estão diretamente relacionadas à classificação esportiva.
Ao considerar simultaneamente diferentes grupos de participantes e, portanto, distintos níveis de desenvolvimento e classificação esportiva, esta pesquisa oferece um diagnóstico abrangente da faixa etária dos atletas do RCR no Brasil, preenchendo uma lacuna na literatura sobre o tema. Os resultados podem subsidiar estratégias mais precisas de recrutamento, desenvolvimento e retenção de atletas, além de contribuir para a formulação de políticas que favoreçam o ingresso mais precoce na modalidade e a sustentabilidade do sistema esportivo ao longo do tempo. Ademais, ao contemplar diferentes níveis esportivos e uma diversidade de atletas que vivenciam realidades socioeconômicas distintas daquelas observadas em centros de excelência em escala mundial, o estudo oferece subsídios para compreender realidades de outros países do Sul Global com características semelhantes.
1.1 Delineamento do Estudo
Trata-se de um estudo observacional, descritivo-comparativo, de abordagem quantitativa, com base na análise retrospectiva de dados oficiais da ABRC.[13] Esse delineamento foi adotado por ser adequado à caracterização de padrões etários, trajetórias de ingresso e permanência esportiva em populações específicas, sem intervenção direta dos pesquisadores. A análise retrospectiva permitiu examinar a distribuição e a evolução dessas variáveis ao longo de múltiplos ciclos competitivos, considerando o período de 2023 a 2025.
1.2 População do estudo
A população do estudo foi composta pela totalidade dos atletas brasileiros de RCR registrados na ABRC, caracterizando um delineamento censitário[14] e estrutura comparativa, envolvendo três grupos de participantes: atletas que participaram do Campeonato Brasileiro da segunda divisão; do Campeonato Brasileiro da primeira divisão; e convocados para a Seleção Brasileira.
Os dados foram obtidos em 26 de janeiro de 2026 por meio de pesquisa documental[15] em três fontes complementares da ABRC: (a) Plataforma Sporti, sistema de gestão onde foram coletados os dados cadastrais (data de nascimento e início na modalidade) e os registros de participação efetiva em competições (súmulas e boletins técnicos), cujos elencos são atualizados anualmente pelos clubes sob sua responsabilidade entre 02 e 31 de janeiro; (b) Master List de classificação, disponível no site oficial da ABRC, utilizada para a obtenção da classe esportiva de cada atleta; e (c) perfil oficial da ABRC na rede social Instagram, consultado para o levantamento do histórico de convocações para a seleção brasileira no período analisado.
Tivemos como critérios de exclusão: ausência de informações (data de nascimento), atletas inelegíveis, com classificação esportiva não concluída, estrangeiros e pertencentes à modalidade Rugby Five (outra modalidade de RCR). Inicialmente, foram identificados 298 atletas registrados na base de dados da ABRC. Desses, 67 atletas foram excluídos: 1 atleta devido à ausência de sua data de nascimento; 8 atletas estrangeiros e 58 atletas registrados no Rugby Five. Após a exclusão destes atletas, 231 atletas compuseram o total analisado neste estudo. Os dados referentes aos atletas foram analisados de forma estratificada por classe esportiva, conforme o sistema oficial de classificação da modalidade (WWR, 2022), e por idade cronológica.
1.3 Análise de dados
A análise dos dados foi realizada por meio de estatística descritiva, utilizando a média como medida de tendência central e o desvio padrão (DP) como medida de dispersão, acompanhados pelos valores mínimos e máximos.[16] O processamento dos dados foi realizado com auxílio do software Microsoft Excel® (versão 2021, Redmond, WA, EUA). Visto que o estudo possui caráter censitário, a análise consistiu em comparações descritivas,[17] entre o perfil dos atletas participantes das competições nacionais e os integrantes da Seleção Brasileira.
1.4 Aspectos Éticos
Este trabalho atende às diretrizes éticas para pesquisas em Ciências Humanas e Sociais, conforme a Resolução nº 510/2016 do Conselho Nacional de Saúde. Ele foi baseado em dados públicos e não foi realizada a identificação nominal dos atletas.
Os resultados serão apresentados a partir de três etapas analíticas complementares, que representam diferentes estágios da trajetória esportiva dos atletas de RCR no Brasil: Nível de Acesso (2ª Divisão), Elite Nacional (1ª Divisão) e Excelência Nacional (Seleção Brasileira).
Em todas as etapas, organizamos os achados com ênfase na estratificação por faixa etária e classe esportiva, buscando compreender como esses elementos se articulam aos processos de início, permanência e progressão esportiva no RCR brasileiro.
Tabela 1 – Distribuição da população por etapas analíticas no RCR (2023–2025)
Etapas | Descrição | Nº de atletas |
Grupo 1 | Nível de acesso - Campeonato Brasileiro da 2ª divisão | 173 |
Grupo 2 | Elite nacional - Campeonato Brasileiro da 1ª divisão | 208 |
Grupo 3 | Excelência Nacional - Seleção Brasileira | 72 |
Nota: Os valores apresentados correspondem ao total de registros de participação por nível competitivo acumulados ao longo do período de 2023 a 2025, considerando as três edições anuais das competições nacionais e das convocações para a Seleção Brasileira. Assim, os números não representam atletas únicos por grupo, mas sim o somatório das participações anuais no triênio analisado.
Fonte: Elaborado pelo autor (2026), com base em dados da Plataforma Sporti.
2.1 Nível de Acesso: Atletas da 2ª Divisão de RCR (2023–2025)
Esta etapa inicial apresenta os dados descritivos da população total (173 atletas) registrada na categoria de acesso nos campeonatos nacionais da segunda divisão. Este panorama serve como referência fundamental para a compreensão das dinâmicas de participação e dos processos de progressão esportiva que serão analisados nos níveis subsequentes.
Tabela 2 – Idade de início e tempo na modalidade dos atletas do Nível de Acesso - 2ª Divisão de RCR (2023–2025)
Variável | Média (± DP) |
Idade de início no RCR | 34,2 anos (± 10,3) |
Tempo na modalidade | 7,0 anos (± 3,6) |
Fonte: Elaborado pelo autor com base em dados da ABRC e da Plataforma Sporti.
Ao analisar a trajetória dos competidores no Nível de Acesso nos campeonatos nacionais da segunda divisão (Tabela 2), verificamos que o início na modalidade ocorre, em média, aos 34,2 ± 10,3 anos. Quanto à experiência, os atletas possuem um tempo médio de prática de 7,0 ± 3,6 anos, o que evidencia a coexistência de iniciantes com competidores já consolidados na base nacional.
Figura 1 - Distribuição etária e variação de idade por classe esportiva dos atletas do Nível de Acesso - 2ª Divisão de RCR (2023–2025)
Nota: O gráfico à esquerda (histograma) apresenta a frequência de atletas por faixa etária, permitindo identificar o pico de participação na modalidade. O gráfico à direita (boxplot) representa a distribuição etária segundo a classe esportiva (0,5 a 3,5). Em cada classe, a área cinza (caixa) corresponde aos 50% centrais da distribuição; as hastes inferiores indicam os 25% mais jovens, enquanto as hastes superiores representam os 25% com idades mais elevadas. Os extremos das hastes correspondem à amplitude total de idade (do atleta mais jovem ao mais velho) em cada classe esportiva.
Fonte: Elaborado pelos autores, com base em dados do site da ABRC e da Plataforma Sporti.
A Figura 1 indica uma idade média dos atletas de 39,5 ± 9,5 anos, valor que se mantém relativamente estável entre as diferentes classes esportivas. Quanto às classes esportivas, as classes 0,5; 1,0; 1,5 e 2,0 apresentam médias etárias e dispersão semelhantes, sugerindo relativa homogeneidade etária nesses estratos. Nas classes superiores, especialmente na classe 2,5, observa-se maior dispersão etária, evidenciando a coexistência de atletas mais jovens com atletas em faixas etárias mais elevadas. Em contrapartida, nas classes 3,0 e 3,5, identifica-se uma tendência a médias etárias ligeiramente inferiores.
2.2 Elite Nacional: Atletas da 1ª Divisão de RCR (2023–2025)
Esta etapa intermediária apresenta os dados descritivos da população total (208 atletas) que competiu na 1ª Divisão dos Campeonatos Brasileiros de RCR. Esse recorte corresponde ao nível de Elite Nacional (campeonatos nacionais da primeira divisão) da modalidade e permite aprofundar a compreensão das dinâmicas de participação, bem como identificar padrões associados à longevidade esportiva e às exigências específicas do ambiente competitivo de elite.
Tabela 3 – Idade de início e tempo na modalidade dos atletas do Nível de Elite - 1ª Divisão de RCR (2023–2025)
Variável | Média (± DP) |
Idade de início no RCR | 29,6 anos (± 6,5) |
Tempo na modalidade | 9,6 anos (± 3,9) |
Fonte: Elaborado pelo autor com base em dados da ABRC e da Plataforma Sporti.
Ao analisar a trajetória dos competidores no Nível de Elite Nacional (campeonatos nacionais da primeira divisão) (Tabela 3), observamos um perfil distinto daquele encontrado no nível de acesso (campeonatos nacionais da segunda divisão). O ingresso na modalidade ocorre de forma mais precoce, com uma média de 29,6 ± 6,5 anos. Adicionalmente, o tempo de prática médio de 9,6 ± 3,9 anos reforça maior maturidade competitiva e permanência prolongada na modalidade.
Figura 2- Distribuição etária e variação de idade por classe esportiva dos atletas do Nível de Elite - 1ª Divisão de RCR (2023–2025)
Nota: O gráfico à esquerda (histograma) apresenta a frequência de atletas por faixa etária, permitindo identificar o pico de participação na modalidade. O gráfico à direita (boxplot) representa a distribuição etária segundo a classe esportiva (0,5 a 3,5). Em cada classe, a área cinza (caixa) corresponde aos 50% centrais da distribuição; as hastes inferiores indicam os 25% mais jovens, enquanto as hastes superiores representam os 25% com idades mais elevadas. Os extremos das hastes correspondem à amplitude total de idade (do atleta mais jovem ao mais velho) em cada classe esportiva.
Fonte: Elaborado pelos autores, com base em dados do site da ABRC e da Plataforma Sporti.
No histograma da Figura 2, observa-se que a idade média dos atletas da elite (campeonatos nacionais da primeira divisão) é de 38,0 ± 7,8 anos. Diferente do cenário observado no nível de acesso (campeonatos nacionais da segunda divisão), o gráfico da direita revela que as classes de 0,5 a 3,0 apresentam médias etárias e dispersões muito próximas entre si, sugerindo uma estabilidade no perfil dos competidores que alcançam a primeira divisão. Em contrapartida, a classe 3,5 destaca-se por apresentar uma média inferior às demais, concentrando atletas mais jovens em comparação às outras classes.
2.3 Excelência Nacional: Atletas convocados para a Seleção Brasileira de RCR (2023–2025)
Com o objetivo de aprofundar a análise das trajetórias etárias, esta etapa final apresenta os dados descritivos da população total (72 atletas) dos atletas convocados para a Seleção Brasileira de RCR. Esse recorte corresponde ao nível de Excelência Nacional da modalidade e permite contrastar os padrões observados na Seleção Brasileira com os dados das divisões nacionais (primeira e segunda divisão).
Tabela 4 – Idade de início e tempo na modalidade dos atletas convocados para a Seleção Brasileira (2023-2025)
Variável | Média (± DP) |
Idade de início no RCR | 26,1 anos (± 6,1) |
Tempo na modalidade | 9,6 anos (± 5,1) |
Fonte: Elaborado pelo autor com base em dados da ABRC e da Plataforma Sporti.
Ao analisar a Tabela 4, observa-se que os atletas convocados para a Seleção Brasileira apresentam o ingresso mais precoce na modalidade entre todos os níveis competitivos nacionais estudados (26,1 ± 6,1 anos). Quanto à experiência acumulada, a média de 9,6 ± 5,1 reforça que a permanência prolongada em regimes de alto rendimento é um diferencial para os atletas
Figura 3 - Distribuição etária e variação de idade por classe esportiva dos atletas do Nível de Excelência - Convocados para a Seleção Brasileira (2023–2025)
Nota: O gráfico à esquerda (histograma) apresenta a frequência de atletas por faixa etária, permitindo identificar o pico de participação na modalidade. O gráfico à direita (boxplot) representa a distribuição etária segundo a classe esportiva (0,5 a 3,5). Em cada classe, a área cinza (caixa) corresponde aos 50% centrais da distribuição; as hastes inferiores indicam os 25% mais jovens, enquanto as hastes superiores representam os 25% com idades mais elevadas. Os extremos das hastes correspondem à amplitude total de idade (do atleta mais jovem ao mais velho) em cada classe esportiva.
Fonte: Elaborado pelos autores, com base em dados do site da ABRC e da Plataforma Sporti.
De acordo com a Figura 3, a idade média dos atletas é de 35,9 ± 7,5 anos. Observa-se que as classes esportivas de 0,5 a 2,5 concentram médias etárias próximas a 36 anos, com baixa variabilidade, o que indica um perfil relativamente estável e homogêneo nesses estratos. Em contraste, as classes 3,0 e 3,5 apresentam maior dispersão etária, destacando-se a classe 3,5, que registra a menor média de idade entre todas as classes analisadas.
A discussão dos resultados foi organizada em três tópicos, a saber: Perfil Etário e tempo de Permanência dos atletas na Modalidade, Idade de início nas Competições e Classificação esportiva e exigências funcionais.
3.1 Perfil etário e tempo de permanência dos atletas na modalidade
Observou-se um padrão consistente de redução da idade média à medida que o nível competitivo se eleva, passando do nível de acesso aos campeonatos nacionais da segunda divisão (39,5 ± 9,5 anos) para o nível de elite, representado pelos campeonatos nacionais da primeira divisão (38,0 ± 8,7 anos), e, posteriormente, para o nível de excelência da modalidade, correspondente aos atletas convocados para a Seleção Brasileira (35,9 ± 7,5 anos).
Gomes Costa et al.[18] analisaram as trajetórias etárias de atletas de RCR participantes dos Jogos Paralímpicos entre Sydney 2004 e Tóquio 2020, a partir de 448 registros de participação, considerando idade cronológica, classificação esportiva e desempenho competitivo. Os autores identificaram idade média de 32,8 ± 6,4 anos entre os atletas paralímpicos. Quando comparados a esse parâmetro, os atletas brasileiros apresentam idades médias superiores às observadas no contexto paralímpico internacional, indicando um perfil etário mais elevado no contexto nacional.
Esses achados sugerem que o RCR brasileiro ainda se encontra em processo de consolidação, caracterizado pela permanência prolongada de atletas pertencentes às gerações pioneiras da modalidade. Esses atletas apresentam, em média, tempo de permanência de 7,0 ± 3,6 anos na segunda divisão, 9,0 ± 3,6 anos na primeira divisão e 9,6 ± 5,1 anos entre os convocados para a Seleção Brasileira, mantendo-se competitivos no alto rendimento em função da experiência acumulada e da ainda limitada renovação geracional.
Um aspecto singular do contexto do RCR brasileiro é que existe uma expressiva presença de atletas com 45 anos ou mais, sendo 25% na segunda divisão, 19% na primeira divisão e 7% entre os convocados para a Seleção Brasileira. Diferentemente de outras modalidades, essa permanência é favorecida por mecanismos regulatórios específicos. O regulamento técnico da ABRC prevê um bônus de 0,5 ponto na somatória das classes esportivas em quadra para cada atleta com 45 anos ou mais, configurando um incentivo institucional à utilização destes atletas.[19]
Na prática, esse dispositivo transforma a longevidade esportiva em um recurso estratégico, permitindo maior flexibilidade na composição das equipes e compensando eventuais limitações físicas individuais por meio de vantagens táticas coletivas. Esta característica contribui para explicar por que a média etária do nível de acesso e da elite nacional é superior àquela observada em contextos internacionais.
3.2 Idade de início nas Competições Nacionais e progressão competitiva
Os resultados evidenciam que, no contexto brasileiro, atletas que alcançam o nível de excelência nacional tendem a iniciar sua trajetória competitiva a nível nacional no RCR em idades mais precoces (26,1 ± 6,1 anos), quando comparados aos níveis de acesso nos campeonatos nacionais da segunda divisão (34,2 ± 10,3 anos) e da primeira divisão (29,6 ± 6,5 anos). Esse achado reforça a importância do momento de ingresso nos campeonatos como um fator associado à progressão esportiva. Mesmo em um contexto no qual o paradesporto admite percursos de desenvolvimento mais variados e menos padronizados do que aqueles observados no esporte convencional.[20]
A literatura aponta que o início mais precoce favorece o domínio da tecnologia assistiva, o desenvolvimento das habilidades técnico-táticas e a adaptação às exigências competitivas da modalidade, ampliando a janela temporal para a consolidação do rendimento esportivo.[21] No RCR, essas dimensões assumem particular relevância, uma vez que o desempenho está fortemente condicionado à interação entre capacidades funcionais, cadeira esportiva e tomada de decisão em contextos de alta intensidade.[22]
No Brasil, o ingresso continua sendo tardio. Esse padrão está associado, em grande medida, ao tempo necessário para os processos de reabilitação e readaptação funcional, sobretudo entre atletas com lesões medulares adquiridas.[23] Um estudo recente, que avaliou diferentes esportes paralímpicos, identificou que atletas com deficiências adquiridas alcançam a fase de elite, em média, aos 36,8 ± 7,9 anos, enquanto atletas com deficiências congênitas realizam essa transição mais precocemente, com idade média de 29,3 ± 6,1 anos.[24]
3.3 Classificação esportiva e exigências funcionais
A análise estratificada por classe esportiva revelou relativa homogeneidade etária entre as classes baixas (0,5 a 2,0), tanto nos níveis de acesso (39,2 ± 7,1 anos), como na elite nacional (38,0 ± 7,4 anos) e na seleção (37,8 ± 4,2 anos). Por outro lado, as classes esportivas consideradas altas (3,0 e 3,5), apresentaram médias etárias inferiores e maior dispersão em todos os níveis de análise, nível de acesso (34,7 ± 11,6 anos), nível de elite (36,9 ± 9,3 anos), e especialmente no contexto da Seleção Brasileira (31,4 ± 11,6 anos), indicando dinâmicas específicas de composição de elenco.
Esses achados estão alinhados às evidências que descrevem as maiores exigências físicas impostas aos atletas de classes mais altas, que concentram ações de alta intensidade, maior volume de deslocamentos e participação central nas fases ofensivas do jogo.[25] [26] Nesse sentido, a presença de atletas mais jovens nessas classes sugere um processo seletivo que privilegia a capacidade de sustentar elevados níveis de intensidade física ao longo das partidas.
Em contrapartida, atletas de classes mais baixas tendem a desempenhar funções táticas associadas à ocupação de espaços, bloqueios e organização coletiva, nas quais a experiência acumulada e a leitura de jogo assumem papel determinante.[27] Esse arranjo contribui para a coexistência de diferentes perfis etários e de carreira no RCR, permitindo trajetórias mais longas para determinadas classes funcionais.
CONCLUSÃO
Os resultados deste estudo sugerem que, embora o sistema nacional apresente mecanismos de progressão esportiva, ele ainda opera em um contexto de consolidação tardia, fortemente marcado pela permanência de atletas com trajetórias esportivas prolongadas.
No que se refere ao perfil etário, os atletas brasileiros de RCR apresentam médias de idade elevadas em todos os níveis competitivos analisados, variando de 39,5 anos no nível de acesso, 38,0 anos na elite nacional e 35,9 anos entre os convocados para a Seleção Brasileira.
Este perfil etário está diretamente relacionado às trajetórias de ingresso na modalidade. Os dados revelam que os atletas brasileiros iniciam a prática do RCR, em média, aos 32 anos, enquanto aqueles que alcançam a Seleção Brasileira tendem a ingressar de forma mais precoce, aos 26 anos. Essa diferença reforça a associação entre idade de entrada na modalidade e progressão competitiva, indicando que o ingresso antecipado amplia as oportunidades de desenvolvimento técnico, adaptação à tecnologia assistiva e maturação competitiva ao longo da carreira esportiva.
A análise por classificação esportiva evidenciou relativa homogeneidade etária entre as classes baixas e médias, tanto no nível de acesso, quanto na elite e excelência nacional. Em contrapartida, as classes esportivas mais altas, especialmente no contexto da Seleção Brasileira, apresentaram médias etárias inferiores e maior variabilidade, sugerindo processos de convocação que combinam atletas experientes com atletas mais jovens, possivelmente em função das maiores exigências físicas e funcionais associadas a esses estratos.
Algumas limitações devem ser consideradas na interpretação dos resultados. O estudo baseou-se exclusivamente em análises quantitativas, o que impede uma compreensão aprofundada dos fatores subjetivos e contextuais que influenciam as trajetórias esportivas. Além disso, não foi possível controlar variáveis como tipo e momento de aquisição da deficiência, histórico esportivo prévio, acesso a recursos materiais e apoio institucional, que podem exercer influência significativa sobre o ingresso e a permanência na modalidade.
Apesar dessas limitações, os achados oferecem contribuições relevantes para subsidiar a atuação de profissionais envolvidos no desenvolvimento da modalidade, ao permitir a compreensão da organização etária dos atletas em todas as classes esportivas do RCR. Esses resultados fornecem suporte para processos de identificação e recrutamento de atletas, considerando faixas etárias compatíveis com as exigências competitivas, sem prejuízo ao desempenho esportivo e em consonância com as capacidades e demandas dos atletas. Ademais, o estudo reforça a importância de políticas que articulem de forma mais consistente os processos de reabilitação e esporte, ampliando as oportunidades de iniciação esportiva ainda nas fases iniciais do pós-lesão.
Para pesquisas futuras, recomenda-se a realização de estudos qualitativos que explorem, em profundidade, os fatores que facilitaram o ingresso precoce de atletas mais jovens e a permanência prolongada de atletas mais velhos na modalidade. Investigações longitudinais também são necessárias para acompanhar a evolução das trajetórias esportivas ao longo do tempo, bem como análises comparativas entre países, que permitam identificar boas práticas de desenvolvimento e renovação no RCR. Em conjunto, essas abordagens podem contribuir para a construção de um sistema esportivo mais sustentável, equitativo e alinhado às demandas do alto rendimento no cenário paralímpico internacional.
Referências
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Las opiniones, análisis y conclusiones del autor son de su responsabilidad y no necesariamente reflejan el pensamiento de Revista Inclusiones. | |
[1] Paul Wylleman, “A Developmental and Holistic Perspective on Athletic Career Development,” in Managing High Performance Sport, ed. Popi Sotiriadou and Veerle De Bosscher (London: Routledge, 2019).
[2] Jessica R. Weissensteiner, “Method in the Madness: Working towards a Viable ‘Paradigm’ for Better Understanding and Supporting the Athlete Pathway,” in Routledge Handbook of Talent Identification and Development in Sport, ed. Joseph Baker, Stephen Cobley, and Jörg Schorer (New York: Routledge, 2017), 131–147.
[3] Nima Dehghansai, Ross Pinder, and Joe Baker, “Talent Identification and Development in Paralympic Contexts: Current Challenges,” Frontiers in Sports and Active Living 4 (2022): 926974, https://doi.org/10.3389/fspor.2022.926974.
[4] Rafael L. Kons, João M. Patatas, Veerle De Bosscher, David Legg, and Miguel A. Tavares, “Age Profiles of Paralympic Athletes Competing at Paris 2024: A Cross-Sport Comparison,” Frontiers in Sports and Active Living 7 (2025): 1720957, https://doi.org/10.3389/fspor.2025.1720957.
[5] Nima Dehghansai, Ross Pinder, and Joseph Baker, “Developmental Pathways in Paralympic Sport,” Frontiers in Psychology 12 (2021): 650664, https://doi.org/10.3389/fpsyg.2021.650664.
[6] Rodrigo Rodrigues Gomes Costa, Frederico Ribeiro Neto, Beatriz Lucena Ramos, Ricardo Tanhoffer, Bob O’Shea, and Ciro Winckler, “Age-Related Trajectory and Age at Peak Competitive Performance in Wheelchair Rugby Players at the Paralympic Games,” American Journal of Physical Medicine and Rehabilitation 103, no. 8 (2024): 747–752, https://doi.org/10.1097/PHM.0000000000002434.
[7] Jacqueline Martins Patatas, Veerle De Bosscher, and David Legg, “Understanding Parasport: An Analysis of the Differences between Able-Bodied and Parasport from a Sport Policy Perspective,” International Journal of Sport Policy and Politics 10, no. 2 (2018): 235–254, https://doi.org/10.1080/19406940.2017.1359649.
[8] Dehghansai, Pinder, and Baker, “Talent Identification and Development in Paralympic Contexts,” Frontiers in Sports and Active Living.
[9] Łukasz Szymczak, Tomasz Podgórski, Jan Lewandowski, et al., “Physical Fitness and Inflammatory Response to the Training Load of Wheelchair Rugby Players,” International Journal of Environmental Research and Public Health 19 (2022): 2228, https://doi.org/10.3390/ijerph19042228.
[10] Mateus Betanho Campana, José Irineu Gorla, Edison Duarte, Alcides José Scaglia, Maria da Consolação Gomes Cunha Fernandes Tavares, and Jonatas de França Barros, “O Rugby em Cadeira de Rodas: aspectos técnicos e táticos e diretrizes para seu desenvolvimento,” Motriz: Revista de Educação Física 17, no. 4 (2011): 748–757, https://doi.org/10.1590/S1980-65742011000400020.
[11] World Wheelchair Rugby (WWR), International Classification Manual (WWR, 2022), https://worldwheelchair.rugby/the-game-classifications/.
[12] World Wheelchair Rugby (WWR), International Rules for the Sport of Wheelchair Rugby (s.l.: WWR, 2025), https://worldwheelchair.rugby/wp-content/uploads/2025/01/WWR-Summary-of-Rule-Changes-01-Jan-2025-English-FINAL.pdf.
[13] Jerry R. Thomas, Jack K. Nelson, and Stephen J. Silverman, Métodos de pesquisa em atividade física, 6th ed. (Porto Alegre: Artmed, 2012).
[14] Eva Maria Lakatos and Marina de Andrade Marconi, Metodologia do trabalho científico, 9th ed. (São Paulo: Atlas, 2021).
[15] André Cellard, “A análise documental,” in A pesquisa qualitativa: enfoques epistemológicos e metodológicos, ed. Jean Poupart, Jean-Pierre Deslauriers, Lionel-H. Groulx, Anne Laperrière, Robert Mayer, and Alvaro Pires (Petrópolis: Editora Vozes, 2012), 295–316.
[16] Christine P. Dancey, John Reidy, and Russell Rowe, Estatística sem matemática para as ciências da saúde (Porto Alegre: Penso, 2017).
[17] Lakatos and Marconi, Metodologia do trabalho científico.
[18] Gomes Costa et al., “Age-Related Trajectory and Age at Peak Competitive Performance,” American Journal of Physical Medicine and Rehabilitation.
[19] Associação Brasileira de Rugby em Cadeira de Rodas (ABRC), Regulamento técnico (Niterói: ABRC, 2026), https://rugbiabrc.org.br/regulamento-tecnico-2/.
[20] Gomes Costa et al., “Age-Related Trajectory and Age at Peak Competitive Performance,” American Journal of Physical Medicine and Rehabilitation.
[21] Dehghansai, Pinder, and Baker, “Developmental Pathways in Paralympic Sport,” Frontiers in Psychology.
[22] World Wheelchair Rugby (WWR), International Classification Manual.
[23] Dehghansai, Pinder, and Baker, “Developmental Pathways in Paralympic Sport,” Frontiers in Psychology.
[24] Jacqueline Martins Patatas, Jens De Rycke, Veerle De Bosscher, and Rafael Lima Kons, “It’s a Long Way to the Top: Determinants of Developmental Pathways in Paralympic Sport,” Sport Management Review 24, no. 3 (2021): 365–379, https://doi.org/10.1016/j.smr.2020.05.002.
[25] Veronika C. Altmann, Bart E. Groen, Jacques van Limbeek, Yves C. Vanlandewijck, and Nick L. W. Keijsers, “Reliability of the Revised Wheelchair Rugby Trunk Impairment Classification System,” Spinal Cord 51, no. 12 (2013): 913–918, https://doi.org/10.1038/sc.2013.87.
[26] James M. Rhodes, Barry S. Mason, Bertrand Perrat, Martin J. Smith, Laurie A. Malone, and Victoria L. Goosey-Tolfrey, “Activity Profiles of Elite Wheelchair Rugby Players During Competition,” International Journal of Sports Physiology and Performance 10, no. 3 (2015): 318–324, https://doi.org/10.1123/ijspp.2014-0203.
[27] Bartosz Molik, Elżbieta Lubelska, Andrzej Kosmol, Magdalena Bogdan, Abu B. Yilla, and Ewelina Hyla, “An Examination of the International Wheelchair Rugby Federation Classification System Utilizing Parameters of Offensive Game Efficiency,” Adapted Physical Activity Quarterly 25, no. 4 (2008): 335–351, https://doi.org/10.1123/apaq.25.4.335.